Tróia-Sagres de 2006, 2005 e 2004
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| 2006 |
O fim da época da pedalada foi mais uma vez marcado pela participação no Tróia-Sagres. Como na edição anterior, alinharam à partida o SD e o PL. A participação do SD esteve em dúvida até à véspera à noite, mas o vício é grande e a vontade de acompanhar o PL ditaram que às oito da matina estivesse em Tróia em cima da burra para começar a pedalar. O PL há muito que tinha decidido repetir a experiência do ano anterior, mas a preparação não foi tão cuidada. O SD ressentiu-se da falta de treino e abandonou em Sines, passando para o carro de apoio. O PL arrastou-se como pôde até Sagres, tendo feito mais quase 45 minutos que em 2005, mas fazer 140 km a pedalar sozinho e com vento por vezes contra não é pêra doce. Restou a alegria de mais uma vez ver a placa de Sagres e a vontade de voltar em 2007 para apagar a má imagem que ficou. Isto, não há milagres, ou se treina ou o corpo é que paga. Agora venham as filhós e os bolos, que em 2007 pedalaremos para perder os quilos que ganharmos. |
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| 2005 |
17 de Dezembro de 2005, 07:00. À entrada de Setúbal o PL recebe uma chamada do SD que já estava com o FG na fila do Ferry para Tróia. A Equipa estava prestes a juntar-se para enfrentar os 208 km. Este ano seriam o SD e PL a pedalar, tentando chegar a Sagres antes do pôr-do-sol. O SD já tinha a experiência do ano anterior, para o PL seria a estreia. Já no Ferry, sente-se algum formigueiro no estômago. Quatro anos atrás, quando o PL recomeçou a andar de bicicleta depois de anos de apenas algumas pedaladas esporádicas, deu de caras com uma revista Bike onde vinha uma reportagem do Tróia Sagres. Os 208 km assustavam quem nunca andava mais de 10, mas este evento foi eleito o objectivo a atingir num máximo de cinco anos (até aos 45). No ano passado o SD que o PL entretanto tinha “desencaminhado”, fez-se à estrada e atingiu o objectivo acompanhado do AR. O PL conduziu um dos carros de apoio e ficou arrependido de não ter tentado, pelo que logo então decidiu que participaria no próximo. Aqui estava ele a atravessar o Sado com as torres de Tróia à frente e o tal formigueiro na barriga. Em Tróia os preparativos foram breves e às oito horas em ponto estavam a pedalar para Sagres. O ritmo foi aumentando gradualmente até se estabilizar muito perto dos 30 km/h. O SD e o PL seguiram juntos até Sines trocando o lugar da frente a cada quilómetro. O PL sentia-se muito bem, o SD ressentia-se de problemas numa virilha, mas continuavam a pedalar em bom ritmo. Os carros de apoio iam acompanhando o percurso e quando o SD e o PL decidiram que não paravam antes de Sines ouviram a palavra mágica “Café”. Estava frio, muito frio. O termómetro chegou a marcar zero graus. Decidiram parar no próximo encontro com os carros para beber o tal café, que soube muito bem. Continuaram no ritmo em que vinham e já quase a chegar a Sines alcançam um grupo numeroso e decidiram descansar um pouco junto deles, rodando na sua cauda. Esta decisão durou pouco, já que o ritmo era bastante mais lento. Decidiram passá-los e levariam cerca de 100 metros de avanço quando ouviram uma grande algazarra provocada pela queda de alguns elementos desse grupo. Pararam para ver o que se passava, mas a ajuda foi rápida pelo que voltaram ao ritmo até pararem já perto de S. Torpes. Numa das rotundas de Sines apanharam o DN que decidiu dar apoio aos dois ciclistas. Passaram a ter três carros de apoio. Eram mais carros que ciclistas. Depois da paragem algo demorada voltaram à estrada. O ritmo estava muito bom e, se não houvesse contratempos, o objectivo seria cumprido, com maior ou menor sofrimento. A mazela do SD continuava a massacrá-lo, mas continuou a pedalar. Perto do km 100, o joelho esquerdo do PL começou a dar sinais de fadiga e uma picada começou a fazer-se sentir. A metade da prova foi a parte mais difícil de superar para os dois, mas o passar dos quilómetros permitiu recuperar algum ânimo tendo atacado a subida de Odeceixe em conjunto. O PL sem esticar muito atingiu o cimo com alguma vantagem sobre o SD. Após mais uns quilómetros chegaria a temível subida da Carrapateira, que atacaram novamente juntos. O PL decidiu poupar os esforços ao máximo e o SD destacou-se algumas centenas de metros, mas à medida que a subida ia sendo feita o PL sentiu que não seria aquela subida que o impediria de chegar a Sagres e decidiu ir ter com o Sérgio que continuava a bom ritmo lá à frente, só o conseguindo apanhar à saída de Vila do Bispo. Quem chega a Vila do Bispo está em Sagres e aqueles quilómetros finais foram feitos a ritmo ainda mais rápido. Eram 16:45 quando o PL desceu da bicicleta em frente ao Posto de Turismo de Sagres. Descontando os 60 minutos gastos nas diversas paragens, foram 7:45 a pedalar. O SD chegou poucos minutos depois. A alegria dos dois era indescritível. Mudaram de roupa e decidiram jantar já a meio do caminho de regresso. Entretanto o DN já tinha regressado para cima, para não chegar muito tarde. Perto da Carrapateira, já de noite um ciclista pedia para parar. Não tinha luzes nem carro de apoio e pediu para ser lecado a Sagres onde um amigo o iria buscar. Depois de tentarmos convencê-lo que seria melhor vir para cima até ao local onde íamos jantar, onde o podiam ir buscar sem ser preciso andar tantos quilómetros, acabou ele por convencer o SD a levá-lo a Sagres, já que era o único que tinha espaço no carro. Combinámos que o PL seguiria para o restaurante e ele iria lá ter mais tarde. Tendo jantado bem e descansado um pouco a viagem de regresso ficou facilitada. Começa a ser tradição que quem conduz carros de apoio num ano faz a travessia no ano seguinte. O FG que conduzia o Disco do SD ainda não ficou convencido, mas o DN diz que em Dezembro lá estará em Tróia pronto para enfrentar os 208 km. O SD e o PL também lá estarão. Há mais voluntários?...
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| 2004 |
O Tróia-Sagres correu muito bem. Às 8:00 de dia 26 de Dezembro, nós e tantos outros bttistas partiam em direcção a Sul, nomeadamente à vila de Sagres. O nosso grupo fez-se representar nesta 15ª travessia na minha pessoa acompanhado por um amigo de seu nome Artur Ribeiro. A apoiar-nos, em vez das tradicionais meninas com coreografias arrojadas, tivémos de nos contentar com a presença do amigo Paulo Leitão que ao volante de um magnifico LR Discovery adequadamente decorado com motivos Forum-TT fazia de fotógrafo e quando em vez de aguadeiro.
O tempo, esse pode-se dizer que foi e "encomenda". Quando na auto-estrada em direcção a Setúbal fomos presenteados com a benção do S.Pedro, leia-se chuva, pensou-se que esta nos iria acompanhar rumo a Sul. Para nosso espanto, não só não choveu como ainda fomos contemplados com alguns raios de Sol ao longo dos 207km de travessia. O frio esse fazia-se sentir mas principalmente quando se parava.
O início do percurso foi feito um pouco a medo. Sabiamos que na primeira estapa, Tróia-Sines, teriamos 70km's muito rolantes e com bom piso. Tentámos conter-nos mas era difícil não acelerar. Pessoalmente cheguei a rolar vários km's muito perto dos 40km/h mas o facto de a minha btt apenas ter 21 mudanças obrigou-me a baixar o ritmo face à elevada cadência das pernas. A diferença de andamento verificado então entre eu e o meu companheiro de travessia começava a ser um pouco penalizadora para mim pois ao obrigava-me a alguns momentos de espera e eu sentia todo o meu corpo a arrefecer. Cheguei já a Sines com alguma diferença para o Artur mas todavia descansado por o carro de apoio estar a conseguir fazer a "ponte" entre ele e eu.
A etapa seguinte, talvez a mais difícil, é caracterizada por um piso mais irregular, não se podendo considerar ainda assim mau. É digamos a etapa chave onde a gestão do esforço não deve ser descurada. Marcada pelas subidas de S.Teotónio e Odeceixe, são cerca de 90km até entrarmos finalmente no Algarve. Terminei estes 90km muito bem fisícamente e poupando-me para o que vinha a seguir porque tinha ouvido falar de uma subida de 7km na Carrapateira...
A última etapa é caracterizada pela entrada finalmente no Algarve. A subida da serra da Carrapateira é de facto extensa mas o grau de inclinação não é muito grande. Isto significa que quem chegar a ela com alguma frescura física, não será esta subida que impedirá a conquista de Sagres. Talvez por ter imaginado uma "parede" de 7km, foi com alguma alegria que perguntei a mim mesmo: "era isto a Carrapateira?". Não quero com isto dar a ideia de uma facilidade total mas acontece que nestas situações costumo colocar a fasquia muito alta para no fim ser apenas surpeendido pela positiva. A determinada altura fui avisado por um bttista que me ultrapassou de que o meu pneu traseiro tinha perdido ar. Parei e enchi. Alguns km's mais à frente tive novamente de encher. Até ao fim foram cerca de 3 paragens no total para bombar ar e não tive nunca a necessidade de reparar o furo.
Foi na entrada do Algarve que senti as primeiras cãibras. Primeiro na perna direita, depois nas duas. Curiosamente um tipo de cãibra nunca antes por mim sentido pois tratava-se de umas picadas laterais na coxa que me impediam de pedalar exercendo força no pedal. Por esta altura apenas conseguia rolar em terreno plano. Conforme previamente combinado com o carro de apoio, encontrei-me com este pouco tempo depois. Estiquei as pernas, comi 2 bananas e tomei um gel energético. Felizmente melhorei e após a Serra da Carrapateira consegui novamente rolar a boa velocidade.
A entrada na vila de Sagres é marcada por uma recta de aproximadamente 8km's que pareciam não ter fim tal é a vontade de chegar rapidamente. A certa altura apercebo-me de um bttista que vem na minha cola aproveitando o facto de eu ir à frente abrindo caminho e afastando o vento. Nesta questão tive sempre o ónus da travessia pois rolei quase sempre sózinho. Quando estavamos a chegar, o "colas" sai de trás de mim, coloca-se a meu lado e diz-me: "Finalmente chegámos! Estes 8km são mesmo longos.", ultrapassando-me então. Condeno um pouco este comportamento pois não se tratando de nenhuma competição não custa ajudar quem vai no grupo indo para a frente de vez em quando e fazendo as despesas da viagem por instantes.
A chegada ao posto de turismo foi realizada de dia, tanto para mim como para o Artur. Quase todos os que terminaram antes já se tinham posto a caminho pois afinal o dia seguinte era dia de trabalho. Creio que é comum jantar-se no restaurante da Berta mas quando o fizémos apenas encontrámos lá mais uns 3 ou 4.
Cheguei bem fisicamente, tanto eu como o Artur. O meu ciclocontador marcava no final um tempo de 7:54:45 de andamento e uma velocidade máxima de 61km/h. Não sendo um tempo por aí além, sobretudo quando os primeiros fazem 6h, foi o tempo por mim conseguido. Nada mau quando as minhas expectativas iniciais apontavam para as 10h. No dia seguinte nenhum de nós se queixava das pernas. Muito terá contribuido a nossa assiduidade na modalidade e os nossos treinos semanais de cerca de 80kms. Para os que chegaram até aqui no texto e questionam a confiança atribuída a um Land Rover no que toca a uma viatura de apoio, posso dizer-vos também que tanto o jipe como o condutor estiveram sempre à altura dos acontecimentos.
As bicicletas, ambas de marca Decathlon sendo uma de suspensão total portaram-se à altura dos ciclistas. Os pneus também de marca Decathlon ao aguentarem um boa pressão rolam muito bem.
Se gostei do Tróia-Sagres!? Conto já realizar a 16ª travessia!
Sérgio Duarte
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